Texto escrito em 29 de outubro de 2017 e encontrado na pasta de rascunhos no dia 3 de janeiro de 2019.

Esse texto está sendo escrito de dentro de um ônibus. Já falei aqui antes sobre as viagens que eu faço de BH pro interior para ver minha família – e as peripécias que isso envolve – e continuo fazendo esse deslocamento umas duas vezes por mês.

Agora nesse ônibus, que graças a Deus está praticamente vazio, onde eu me vejo sozinho com meus pensamentos, estou refletindo sobre o tempo mais uma vez.

Caso você já tenha entrado na vida adulta há alguns anos, você certamente se vê pensando se vai ter tempo de realizar as coisas que quer. Você sai da adolescência e pensa que vai fazer um monte de coisa legal. Às vezes faz, às vezes não. E o que não é feito fica prorrogado pra mais tarde, quando você sair da faculdade.

Veja bem, quando eu criei esse blog eu estava no final do Ensino Médio e o ano era 2009. Tirando os blogs e as comunidades do orkut, pouca coisa era interessante na internet do ponto de vista dos criadores de conteúdo. Nem o twitter existia direito, imagina então pessoas que faziam dele um meio, mesmo que indireto, de ganhar dinheiro.

Talvez o texto esteja perdendo um pouco do nexo aqui, mas no final eu dou um jeito de amarrar as ideias. Só vem comigo.

Aí beleza, a internet foi evoluindo, novas mídias foram surgindo e minha curiosidade em experimentar cada uma delas só foi aumentando. Porém eu já tinha iniciado minha graduação que, mal sabia eu, seria conturbada pra cacete e eu tinha que dividir meu tempo entre uma coisa e outra. Muitas vezes eu deixava de estudar alguma coisa porque deep in my heart eu sabia que me empenhando em criar o conteúdo que eu gostava e achava útil e divertido, talvez eu chegasse um pouco mais longe na vida. E tecnicamente eu acertei nesse ponto: a faculdade de Sistemas de Informação ficou pra trás e meu diploma de Jornalista (profissão que podemos definir nesse texto como “criador e organizador de conteúdo”) está vindo aí.

Mas antes disso, uns dois anos atrás, eu resolvi focar na graduação e me ver livre o mais rápido possível de uma pendência na minha vida para que eu desse prosseguimento naquilo que eu gostasse de verdade.

Eu não sei explicar exatamente o que é, mas criar conteúdo original é um vício, uma espécie de comichão e coçadinha que só quem sente sabe como é. Caramba, até um canal no YouTube eu criei.

Claro que só dá pra levar as coisas em frente enquanto o semestre e as provas não apertam, mas de vez em quando tem uma brecha na nossa vida e a gente aproveita, nem que seja numa viagem de ônibus onde se poderia colocar os podcasts em dia, ou até mesmo o nosso sono.

E tudo isso pra chegar aqui neste parágrafo, onde eu falo que tenho mais uma ideia que estou contando os dias para colocar em prática mas que infelizmente não dá pra ser agora se eu quero realmente fazer as coisas direito. Como eu disse anteriormente, preciso me livrar de algumas pendências.

Meu medo, porém, é não conseguir ter tempo para isso, mesmo sendo algo que poderia ser meu ganha-pão. Meu medo é a pressão da vida me jogar em um emprego qualquer assim que eu sair da faculdade e eu me ver preso lá pra sempre e ver a vida se arrastando. Pode parecer uma visão pessimista da situação mas o fato de eu achar que ainda consigo evitar esse destino me torna um “otimista realista”.

UPDATE (03/01/2019)

O rascunho do texto acabou no parágrafo anterior. Confesso que não sei exatamente o que se passava na minha cabeça durante aquele dia, mas como eu ainda concordo com a ideia geral de tudo aquilo que eu escrevi, resolvi postar aqui para fins de registro. Às vezes dá saudade de voltar a escrever. Bate uma nostalgiazinha de tempos mais simples. Mas por hoje vou ficando por aqui.

Feliz 2019 e que seus sonhos se realizem. Mas você vai ter que correr atrás do prejuízo.