Pequenas lembranças de outras Copas do Mundo que não são necessariamente ligadas a futebol

•14 de junho de 2014 • Deixe um comentário

E por incrível que pareça, está tendo Copa sim.

Como vocês talvez desconfiem, ou tenham percebido pela ausência de textos sobre esportes após todos esses anos de blog, eu não gosto de futebol. Não gosto de assistir pois não tenho paciência, não gosto de jogar pois me falta habilidade e tampouco gosto de video-games de temática futebolística pois prefiro jogar coisas as quais eu seria preso se fizesse de verdade, tipo matar prostitutas com tanques de guerra voadores ou pisotear tartarugas após o consumo de quantidades inimagináveis de cogumelos.

Pois bem, ajuste o seu DeLorean para 10 de junho de 1998 ao meio-dia e meio (horário de Brasília). E horário esse em que o Brasil iniciava sua disputa com a Escócia no primeiro jogo na França.

E horário em que essa foto foi tirada:

copa98_pixels

É incrível pensar que essa foto foi tirada há 16 anos. Me faz sentir velho. Também é incrível notar que de todas as coisas nessa foto, apenas eu e o baú estamos aqui para contar história. Aquela bandeira deve ter ido parar no lixo após a derrota do Brasil na final, minhas roupas possivelmente foram doadas devido ao fato de eu ter crescido alguns centímetros, mudamos de apartamento (e de cidade) em dezembro daquele ano e a TV foi vendida em 2009.

Olha o baú aí! (O ventilador também é daquela época.)

Acabei lembrando de outra coisa: eu também adorava o Footix. Sim, o mascote do país-sede que foi campeão e que deu aquela catracada de 3 a 0 no Brasil. Acho que era porque ele me lembrava o Pica-Pau, sei lá, mas eu vivia desenhando aquela porra na escola.

Mas falando em Copa do Mundo – ou não – eu me lembro de pouquíssima coisa que aconteceu em 2002. Teve o Ronaldo com aquele cabelo sinistro; teve a estreia do quadro Copas de Mel no Fantástico com a Denise Fraga, onde ela e o Selton Mello viviam altas aventuras como um casal apaixonado que influenciou indiretamente todos os resultados dos mundiais desde que o Brasil conquistou o primeiro título; teve aquele dia em que eu fiquei no computador emburrado com meus pais por algum motivo e não quis ir pra sala quando eles me chamaram para ver o gol que o Ronaldo tinha feito e… ah, e teve a conquista do Penta, mas eu era tão novo e já me importava tão pouco com a Copa que tudo aquilo acabou passando batido.

ronaldo2002

Avançamos quatro anos na história e… UAU! Eu não me lembro de absolutamente nada do que houve em 2006. A não ser isso.

Quanto às memórias de 2010, existe uma que está bastante vívida e é bem possível que seja devido ao número de coisas absurdas e improváveis que aconteceram num certo dia de jogo.

DSC01042

Nesse ano eu tinha ido morar em Diamantina que, pra quem não está familiarizado com o carnaval ou com a cultura de Minas Gerais, é uma cidade universitária de aproximadamente 45 mil habitantes, onde tudo que lá existe é sinônimo de álcool e putaria generalizada. A coisa já começou aí. Em segundo lugar, me chamaram pra Baiúca e eu fui! Baiúca é um cruzamento de ruas – com bares em volta e mesas onde deveriam haver carros – que ganhou esse nome por causa do bar mais famoso. O nome do bar que eu fui na verdade é Da Terra, mas isso não faz diferença (a não ser que você esteja do lado de dentro do estabelecimento ao invés das mesas na rua e, como eu estava lá dentro, na verdade faz diferença sim.) Pois é, eu estava num bar e eu nem bebia! E eu estava vendo futebol nesse bar! E quem me convidou pra ir nesse bar foi uma garota que eu jamais pensei que pegaria, mas como a vida é uma brincalhona, às vezes ela facilita bastante pro nosso lado, fazendo a gente deixar o medo da rejeição e a vergonha dentro de casa e fazendo com que garotas bonitas queiram pegar rapazes não tão bonitos assim.

E como se tudo isso não fosse improvável o bastante, quando nós saímos do bar, demos de cara com aquele que viveu um par romântico com Denise Fraga em 2002. Selton Mello & Sua Turma estava gravando cenas da minissérie “A Cura” na cidade e, durante uma pausa, lá estava ele dando rolê na cidade, abraçando universitárias e autografando calcinhas bloquinhos da Betty Boop.

É engraçado pensar que a Copa do Mundo é um evento que faz um país inteiro parar, mas que pra mim é apenas um plano de fundo para alguns momentos importantes não-relacionados ao futebol. Mas antes que você pense que eu sou um escroto babaca que se acha melhor que os outros por causa disso, saiba que eu assisti ao primeiro jogo desse ano. E acompanhei ao vivo as reações exageradas dos gringos do Reddit enquanto isso. Foi divertido.

"Querido diário, o jogo de hoje foi show. Estou confiante de que 1998 será o ano do Brasil. Estou confiante também de que nos próximos anos eu irei ganhar um computador e terei acesso a uma rede mundial deles para publicar para centenas de pessoas todas as merdas que me venham à cabeça. Espero também do fundo da minha alma que quando eu for mais velho, eu tenha o bom senso de não publicar as fotos da minha infância nessa tal rede mundial de computadores. Por enquanto é só. Meus indicadores já estão ficando roxos de tanto datilografar. Até breve."

“Querido diário, o jogo de hoje foi show. Estou confiante de que 1998 será o ano do Brasil. Estou confiante também de que nos próximos anos eu irei ganhar um computador e terei acesso a uma rede mundial deles para publicar para centenas de pessoas todas as merdas que me venham à cabeça. Espero também do fundo da minha alma que quando eu for mais velho, eu tenha o bom senso de não publicar as fotos da minha infância nessa tal rede mundial de computadores. Por enquanto é só. Meus indicadores já estão ficando roxos de tanto datilografar. Aliás, quantas pessoas ainda possuem uma máquina de escrever no final dos anos 90? Com esse questionamento, eu me despeço por ora. Até breve.”

[DVC] Scott Pilgrim Contra o Mundo

•1 de junho de 2014 • 2 Comentários

Eis o terceiro repost do Cine Fanático. Leiam o primeiro e o segundo também.

Vitrine do "De Volta Para o Cinema".

Um filme baseado em quadrinhos com temática de video-game. Quer coisa mais nerd que isso? Então adicione um romance adolescente frustrado. Esse é Scott Pilgrim Contra o Mundo, lançado em 2010, dirigido por Edgar Wright e estrelado por Michael Cera no papel de sempre: ele mesmo, o carinha meio nerd, meio hipster e 100% deslocado.

Baseado na HQ de Bryan Lee O’Malley, lançada em 2004, o filme conta a história de Scott, um cara que possui alguns amigos, uma banda de rock na qual é baixista, divide um apartamento com um rapaz chamado Wallace e tem uma namorada legal e frenética chamada Knives.

A trama começa quando Scott sonha com uma entregadora da Amazon chamada Ramona Flowers e então não consegue parar de pensar nela. Decidido a encontrá-la, e ignorando completamente seu relacionamento com Knives, o jovem baixista resolve fazer uma encomenda qualquer pela internet para criar assim uma desculpa de receber Ramona na porta de casa. Nesse momento, descobrimos que Ramona pode se mover por “rodovias subespaciais” e que os sonhos que Scott teve com ela na verdade era apenas um atalho tomado pela garota para que pudesse fazer suas entregas de forma mais rápida. Pois é, acrescente “buracos de minhoca” (wormholes) na história que ela fica mais nerd ainda. Infelizmente não é tão legal quanto parece.

Vilões

Então Scott acaba saindo com Ramona, deixando Kim de lado e transformando a pobre menina abandonada numa maníaca obsessiva de 17 anos. Porém, o rapaz agora deve enfrentar o mundo para ficar ao lado de Ramona. Ou melhor: ele deve enfrentar os sete ex-namorados da garota, sendo cada um deles uma metáfora para uma fase de um game da vida real, com direito a moedinhas de prêmio e socos super-poderosos. Tudo isso, é claro, fazendo parte de um plano do vilão da última fase.

scott pilgrim blam blam dead

A estética do filme é interessante de se ver. Onomatopeias são exibidas a todo momento, movimentos bruscos são pontuados com efeitos sonoros e diversos quadros foram copiados da HQ com perfeição. Mas não são apenas esses elementos que fazem uma boa adaptação.

Confesso que não é um dos meus filmes prediletos, porém a coisa seria muito pior se toda a história do romance ficasse apenas nas metáforas e não saltassem aos olhos do espectador, como por exemplo o “verdadeiro amor” sendo representado por uma katana e o “auto-respeito” se transformando numa arma mais poderosa ainda, deixando a lição sobre o que é realmente importante para um ser humano.

Então, fica aí a dica de mais uma ode à cultura pop, com direito a referências à Seinfeld e jogos 8-bit, mas sem uma história muito profunda.Talvez esse filme seja para pessoas mais novas.Talvez eu esteja me tornando um chato.

É curioso observar como eu estava passando por uma fase amarga na minha vida quando eu escrevi esse texto.

[DVC] Fanboys

•3 de maio de 2014 • Deixe um comentário

Dando continuidade aos reposts do Cine Fanático, postarei hoje a minha resenha (?) do filme Fanboys.

Vitrine do "De Volta Para o Cinema".

Fanboys se passa em 1998, “em uma galáxia não tão distante” como diz o início do filme, preparando os espectadores desavisados para o que eles assistirão dali para frente. A história é sobre um grupo de quatro amigos (Eric, Linus, Hutch e Windows) fanáticos por Star Wars que planejam, desde que eram crianças, fazer uma viagem até a Califórnia e invadir o Rancho Skywalker – a fortaleza de George Lucas – para assistirem em primeira mão ao “Episódio I – A Ameaça Fantasma”.

"Sent from my iPhone" (risos)

“Sent from my iPhone” (risos)

Acontece que Eric, o que se manteve mais afastado do grupo, agora trabalha na loja de carros do pai e acaba se achando mais responsável e adulto que os outros e diz que uma viagem dessas nunca aconteceria. No dia seguinte é abordado por Hutch e Windows, que contam a ele que Linus tem câncer e não irá sobreviver até a estreia do filme, ao qual esperaram há 16 anos.

Pra quem não é familiarizado com Star Wars, houve realmente um hiato de 16 anos entre o Episódio VI – O Retorno de Jedi (lançado em 1983) e o Episódio I – A Ameaça Fantasma (lançado em 1999). Na verdade, os episódio IV, V e VI foram lançados nas décadas de 1970 e 1980 e, depois, entre 1999 e 2005 vieram os episódios I, II e III. Depois eu explico isso com calma, num outro texto talvez.

palm-countdown

Pois bem, Eric acaba aceitando o plano e eles vão viajar. Não vou contar o final porque esse filme é bem recente e, ao contrário de “Bill e Ted”, eu ficaria com peso na consciência em contar spoilers aqui.

Fanboys é basicamente um “road trip movie” que fala sobre amizade e, a cada cena, o filme só melhora: entre uma briga com fãs de Star Trek e uma noite em Las Vegas, muitas piadas são feitas ali envolvendo não só o universo do filme, como também outras obras de ficção científica e o próprio elenco. Em uma das cenas, Hutch estaciona sua van num restaurante beira-de-estrada chamado “Java the Hut”. Além de ser uma referência a um personagem de Star Wars (Jabba the Hutt), esse é o mesmo nome do restaurante da série Veronica Mars onde trabalha a personagem de Kristen Bell, que também está nesse filme.

java the hutt

Os diálogos também são sensacionais. Em uma cena, durante a viagem, Eric e Windows (personagem cujo visual foi inspirado no de George Lucas dos anos 70) estão conversando sobre Harrison Ford ter interpretado Han Solo e Indiana Jones. “Ele nunca fez um filme ruim”, diz um dos fanboys. Nesse momento, numa tomada feita do lado de fora da van, aparece o outdoor de “Seis Dias, Sete Noites”, um dos filmes mais fracos de Ford. Outro diálogo tão sutil – e tão genial – quanto esse é quando Linus vira pra uma médica (interpretada por Carrie Fisher, a Princesa Leia dos filmes Star Wars) e diz que a ama. “Eu sei”, foi a resposta – a mesma dita por Han Solo e Leia nos Episódios V e VI, respectivamente.

seis dias sete noites

A trilha sonora também é excelente. Músicas como Tubthumping, do Chumbawamba; Tom Sawyer, do Rush; e até Fuego, do Menudo (!) ambientam o filme.

E se você ainda não se convenceu, que tal o elenco de apoio com Seth Rogen fazendo três personagens diferentes; Danny Trejo; Jason Mewes e Kevin Smith (eternos Jay e Silent Bob); Billy Dee Williams e Ray Park (Lando Calrissian e Darth Maul, de Star Wars, respectivamente) e William Shatner traindo o movimento?

FanboysEsse filme é um dos meus favoritos. É uma comédia que diverte mesmo se o espectador não conhece muito dos filmes citados anteriormente, os personagens se conectam muito bem, as cenas de ação e de personagens “entrando em apuros” são engraçadas, as de romance (ou quase isso) são surreais e a premissa é ao mesmo tempo a maior piada de Fanboys: um grupo de amigos na maior expectativa para assistirem um filme que todos sabem que foi uma porcaria.

O filme foi dirigido por Kyle Newman e lançado em 2009. Indico a todos.

Mudança de paradigma

•4 de abril de 2014 • Deixe um comentário
E pela primeira vez na história desse blog: peitos.

E pela primeira vez na história desse blog: peitos.

Eis que eu me deparo novamente com o instagram desse meu xará. Provavelmente o nome dele deve ser Daniel (“Dêniel” pra não errar o sotaque), mas isso já basta pra eu considerá-lo meu xará – principalmente se ele é um cara foda como aparenta ser nas atuais 484 fotos do seu Instagrão.

Digo que me deparei novamente porque da primeira vez eu não dei tanta importância pra ele porque “dane-se, é só um cara rico” e porque eu não tinha instagram na época pra poder acompanhar as altas aventuras de um milionário do barulho. Mas depois de apresenta-lo a vocês, farei a defesa de uma breve tese que eu criei hoje mesmo. Bom, esse jovem rapaz de 33 anos se chama Dan Bizerian e segue uma tranquila vida heteronormativa e prejudicial à moral e bons costumes familiares. Ele é filho de um executivo de Wall Street e, não contente em viver sugando a grana do pai, resolveu fazer o próprio pé-de-meia sendo fuzileiro naval, ator e jogador de poker. ¯\_(ツ)_/¯

E aqui eu paro, mostro-lhes o seguinte gráfico e emendo a seguinte pergunta:

grafico_dan

O que nos impede de sair do ponto (A) e ir para o ponto (B)?

A resposta obviamente consiste de vários fatores, mas eu vou deixar aqui uma outra pergunta pra evitar a “análise sociológica”: por que se contentar em ser mediano se você pode ser o melhor? Não estou falando de discurso motivacional nem nada do tipo; estou falando de termos práticos. Se você estuda, por exemplo, e não tira notas muito boas, WHAT’S YOUR FUCKING EXCUSE? Porque assim, se todos estão recebendo a mesmíssima informação, então por que é que você tira 6 e o Astolfo sempre tira 10?

E porque é que você insiste que vai ficar milionário nesse emprego meia-boca sabendo que é simplesmente impossível fazer seu salário durar até o início do próximo mês? Fazendo um parêntese aqui rapidinho, você sabia que pra suprir as necessidades básicas de uma família de 4 pessoas seria preciso ganhar 3 mil reais por mês? E pior: cê tá ligado que pra ficar milionário de verdade você precisaria trabalhar mais de 115 anos (CENTO E QUINZE ANOS!) recebendo salário mínimo, livre de impostos e guardando cada centavo?

Pois é, meu amigos. Não tá fácil pra ninguém.

Felizmente eu tenho um plano a médio e longo prazo que se tudo correr bem… irá tudo correr bem. Não vou entrar em detalhes mas a única coisa que eu digo é que não envolve entrar pro exército ou jogar poker.

E é tudo dentro da lei também, vale ressaltar.

E um spoiler: envolve estudar economia PRA CARALHO.

Caligrafias, cadernos e disciplina na escola

•2 de março de 2014 • 6 Comentários

Já falei sobre o Reddit algumas vezes aqui. É incrível como dá pra achar tanta coisa foda numa única rede social ao invés de brigas de ego e chapolins sinceros. Twitter e Facebook, estou falando de vocês.

Estou aqui dando uma rolada rolando a página inicial do Reddit quando vejo um post do /r/Handwriting onde um usuário pede dicas de como melhorar sua caligrafia, muito embora eu não ache que ele precisa.

reddit caligrafia handwriting

Resolvi sair da página inicial e adentrar ao subreddit das pessoas cujas caligrafias são tão maravilhosas que me deixam envergonhado pelos meus últimos 16 anos como estudante. E foi aí que eu vi a foto abaixo. Cliquem nela pra ficar gigantesca.

caderno de química

Letra bonita, caderno organizado e química orgânica: o universo tá querendo mesmo que eu me mate de vergonha, só pode.

Juro pra vocês que eu fiquei alguns minutos admirando cada nuance dessa caligrafia, tentando descobrir um jeito de emulá-la e tranformá-la na minha própria, além de tentar encontrar um padrão de organização para o uso de cada cor. É uma página verdadeiramente bonita.

E depois de comentar isso no twitter e iniciar uma conversa de duas horas com o @rafabulsing (leiam o blog dele também!), eu me lembrei como eu fui um total fracasso quanto à minha disciplina na escola – assim como na faculdade – no quesito de anotar a matéria da aula e deixar meus cadernos legíveis e apresentáveis.

Não lembro bem como eram meus cadernos no Ensino Fundamental, mas quando fui para o Ensino Médio resolvi abandonar a letra cursiva afim de tornar as coisas mais claras pra quem quer que lesse o que eu escrevia. Demorou um tempinho para me acostumar mas a mudança ocorreu. No entanto, em algum momento da minha vida, eu adotei uma mania estranha (quase um TOC) de fazer pontinhos com a caneta no meio das palavras. Era algo injustificado. Eu simplesmente queria acertar algum átomo perdido no meu caderno mas nunca conseguia fazê-lo de primeira, o que acabava resultando num pedaço de papel com uma obra amadora da técnica do pontilhismo.

E isso era tão automático que eu só percebi que eu fazia isso quando um colega meu perguntou o que diabos eu estava fazendo.

Outra mania infeliz foi a tal da procrastinação. Volta e meia apareciam – “apareciam”, como se não fosse eu o responsável por isso – páginas em branco no meu caderno com um “COPIAR DE ALGUÉM DEPOIS” escrito lá no alto. Ou então uma página cheia de garranchos escrita “PASSAR A LIMPO”. Mas por que alguém seria idiota para copiar a matéria de maneira porca para depois passar a limpo, sendo que poderia fazer tudo bem feito da primeira vez? Bem, vou explicar.

Desde que eu me entendo por gente eu nunca foi muito rápido para escrever. Mas agora sendo um pouco mais velho e parando para analisar, cheguei a três teorias que poderiam explicar minha falta de habilidade: a primeira é que eu conversava pra cacete e quando me dava por mim o corno professor já estava apagando as primeiras anotações no quadro. A segunda é que pode ser um princípio de TDAH, e eu arrumava coisa melhor pra fazer, o que também me fazia perder as anotações que estavam no quadro. A terceira e última teoria é que é simplesmente impossível prestar atenção ao que o professor está dizendo ao mesmo tempo em que tenta copiar toda a matéria no caderno. Enfim, deve ser uma dessas três. Eu não posso simplesmente ser burro. Ainda mais depois de escrever aquele último post.

E se já era difícil copiar toda a matéria com a letra feia, imagina só fazer isso com todo o capricho que só as meninas mais cuidadosas da turma conseguiam aplicar… Só que por causa da procrastinação, fui sempre prometendo pra mim mesmo que um dia copiaria toda a matéria atrasada, entretanto meu Ensino Médio terminou há quatro anos e eu não lembro de ter feito isso uma única vez.

Mas voltando aos cadernos e letras bonitinhas, existe uma coisa que TODA CRIANÇA já fez: entrar numa papelaria e implorar por um caderno foda e um conjunto de canetas super estilosas que não escorregam, não dão calos e acima de tudo, magicamente incentiva o estudante a querer copiar tudo o que o professor fala na sala de aula.

E o pior que isso acontece mesmo quando você já está com mais de 20 anos e tentando se formar na faculdade. Não é à toa que saí da faculdade duas vezes. A culpa é daquele caderno xexelento de 96 folhas que, de tanto evitar escrever nele, acabei mantendo-o por dois semestres e com várias páginas em branco.

Mas “esse ano promete”. Quando eu pisar na faculdade de novo estarei com meu caderno universitário sem pauta e com folhas amareladas sem ácido tipo moleskine e com um belo conjunto de canetas 0,4mm da Stabilo. Tudo isso para tentar de uma vez por todas ter um caderno tão bonito que me faça ter a disciplina de escrever todas as anotações nele e eu não precisar sair desesperado para pegar matéria atrasada com o coleguinha.

materialfaculdade

PS.: agradeço a quem puder enviar uma foto do próprio caderno pra ser avaliado pela equipe desse blog (eu).

PPS.: apesar dos exageros no final, acredito fortemente que só de ter escrito esse texto e feito promessas perante alguns desconhecidos anônimos, eu realmente vou anotar a matéria tal como um belo de um CDF. Essa coisa de “externalizar o problema” dá certo mesmo.

PPPS.: sério, mandem fotos dos seus cadernos, na moralzinha.

Eu tenho que parar de conviver com gente burra

•22 de fevereiro de 2014 • Deixe um comentário

Bom dia, pessoas bonitas. Há algumas semanas comecei a escrever o primeiro parágrafo da internet brazuca (by Felipe Neto) desse post, porém não passou de 3 linhas muito mal escritas, mas agora estou aqui às 7h20 da manhã de um sábado esperando a academia abrir porra nenhuma, afinal eu prometi nunca mais tocar nesses assuntos de maromba nesse blog pseudo-nerd-frango-que-não-sai-da-frente-do-computador-e-já-começa-a-passar-mal-quando-sabe-que-vai-ter-que-fazer-uma-caminhada-de-5-minutos-pra-comprar-pão-na-padaria-da-esquina.

MEU DEUS, PUTA QUE PARIU. ACABEI DE BATER MEU RECORD DE PROLIXIDADE.

Pois, bem. Gente burra.

Eu não quero parecer arrogante, babaca e nem nada do tipo, mas já que eu não vou conseguir passar a impressão contrária para os que estão lendo um texto meu pela primeira vez, chutarei o pau da barraca nesse post. E já que é pra foder com tudo, começarei citando um cara que muitas vezes é odiado injustamente por causa das opiniões sinceras que emite – um rapaz chamado Israel Nobre (ou Izzy Nobre):

Captura de Tela 2014-02-22 às 07.32.16

“Nunca seja o mais inteligente do seu círculo social.”

Muitos de vocês podem pensar que é uma idiotice sem tamanho pensar dessa forma, que é falta de “coleguismo” com o próximo, mas a verdade é que ninguém gosta de gente burra. Principalmente de gente que não se esforça pra ser menos burra.

Imagine-se na seguinte situação: você é jovem, faz faculdade, tem hábitos regulares de leitura, também gosta de escrever e está desesperadamente à procura de um primeiro emprego. Aí seu brother da faculdade diz que vai te arrumar um emprego. A vaga que ele está desocupando, para ser mais específico. Você nem pensa duas vez e já aceita, e acaba indo trabalhar no lugar que mais tem gente idiota por metro quadrado – um shopping center. (Mas você não culpa o brother porque ele te fez um mega favor e te ajudou a ganhar dinheiro.)

Pois é, esse fui eu durante 11 longos meses.

Pra vocês terem ideia de como era torturante a situação, numa turma de 16 funcionários apenas eu e o gerente tínhamos colocado os pés na faculdade alguma vez na vida. Na verdade, nós dois éramos os únicos a ter prestado o maldito do vestibular. Aliás, existe até um episódio de Friends em que Joey conta para Rachel que a sua irmã Dina é a mais inteligente da família (“Sabe o vestibular? Então, ela fez a prova!”). E isso seria cômico se não fosse tão trágico.

Sério, tem gente lá beirando os 30 anos que não se vê fora do shopping. E sabem quantas pessoas com mais de 30 anos trabalham em shoppings? Poucas. E sabem quais são suas funções? Donos de lojas. Ou Gerente Geral de Faxina Rápida no Setor do Banheiro. O pior é que você resolve dar o duro golpe de realidade na pessoa e tem um “relaxa que isso tá nos planos” como resposta. Mas como tá nos planos se você resolve estudar pro ENEM depois de perder o prazo de inscrição, minha filha?

E mesmo quando vêm te pedir ajuda pra baixar um HD maior pro netbook ou pra mandar um e-mail furioso perguntando pra um desconhecido site de compras coletivas porque o iPhone de 80 reais nunca chegou, ainda ignoram sua não-burrice só porque de vez em quando você faz piadas e trocadilhos com pirocas. Sim, pirocas. Quem nunca? (A propósito, o assunto imaturidade fica pra outro dia.)

Sabem de outra coisa que me incomodava lá, mas num nível tão absurdo que eu fico com ódio só de lembrar? Algumas pessoas não conheciam o conceito de DEZENA E UNIDADE! Observe abaixo como uma das criaturas, ao escrever uma data, colocava o ano de 2013:

20013

Porque afinal de contas, foda-se, né?

20013, mano! 20013!!!

Um dia resolvi perguntar como ela escrevia “vinte mil e treze” e a menina simplesmente bugou. Ela parou por alguns segundos observando como dois números com algumas centenas de diferença entre eles poderiam ser escritos de forma igual. Acredito que até hoje ela estaria pensando no assunto se coisas banais como uma pedra na rua não a distraísse.

Mas calma que esse post não é para falar mal das pessoas com as quais eu trabalhei. Esse post é pra falar mal da burrice em geral!

Por exemplo, nunca pergunte quem foi Steve Jobs, o que é o Guia do Estudante, o que significa “GLS” e coisas do gênero. E também, se você for do tipo de gente burra que não consegue entender ironia ou sarcasmo e dá aquela risadinha idiota de quem CLARAMENTE não entendeu porra nenhuma, por favor não complete com outra piada ou comentário. Não deixe que sua burrice transpareça.

E se você é burro e um dia você resolver ir à academia, ouça com atenção o seu instrutor e as pessoas que malham com você quando te disserem que tu tá fazendo a merda do exercício todo errado. Se é pra fazer tríceps no cross, você deve ficar com os cotovelos parados e não fazer uma simulação de um tucano tentando alçar vôo debaixo d’água.

E por favor, não pergunte nem mesmo por brincadeira – porque como eu disse anteriormente, você vai parecer ainda mais idiota – se quem vai na Campus Party usa caminhão-pipa pra tomar banho (afinal um ambiente fechado nunca tem banheiro, certo?).

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E falando em Campus Party, é por isso que eu amo aquele evento. Tecnologia lá é o de menos. Poder conversar sobre tudo – desde putaria até os filmes nomeados ao Oscar – de igual pra igual, com gente desconhecida mas com tanta intimidade que parece que vocês são amigos de infância, isso sim é que é foda. Fazer uma piadinha besta com uma referência obscura e pelo menos 2 pessoas na roda entenderem te faz sentir em casa.

Como eu tenho saudades daquela semana…

É por isso que eu tenho que parar de conviver com gente burra. E você também. A gente não precisa disso. Ninguém tem que ficar andando com marmanjo retardado pra ver se ele “pega no tranco”. Aqui é seleção natural, bitch!

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E não, eu não sou inteligente pra caralho. Como eu exemplifiquei com o tweet do Izzy, eu até prefiro ser o mais burro do grupo, porém tenho (quase) certeza que ninguém nunca quis escrever um texto como esse pensando em mim.

Cara, é muito fácil não ser burro. Basta conviver com seres humanos normais, ler de vez em quando, não ficar bitolado 24h dentro do seu quarto ouvindo sertanojo universotário e abrir mão das coisas que te fazem parecer um idiota.

Eu só não abro mão desse blog porque eu tenho que ser babaca de vez em quando.
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Humor autodepreciativo, a gente vê por aqui.

Vou ali dar uma palestra na Campus Party e já volto

•22 de janeiro de 2014 • Deixe um comentário

Salve! Salve!… É com esse post que eu digo que o blog acabou de voltar das férias. (E juro que a saudação não tem nada a ver com o Pedro Bial, mas sim com o Paulo Bonfá.)

Então, cambada, here’s the thing: segunda-feira que vem irei para São Paulo para a minha terceira Campus Fucking Party. Lembrando que “fucking” é só modo de dizer, afinal ninguém transa nessa porra. Ops, me enganei. :V

Pois é, cá estou eu novamente gastando algumas dezenas de reais para rever todos a maioria dos meus amigos das internéta num só lugar. E de quebra eu ainda vou “palestrar” durante as madrugadas. Mas calma que não é exatamente uma palestra: são podcasts ao vivo comigo, membros do podcast do qual faço parte e convidados. Todos os detalhes que você precisa saber estão aqui.

agenda podcasts ao vivo

Pra você que não poderá comparecer, tentaremos fazer uma transmissão ao vivo pelo YouTube através da ferramenta de hangout, que é o único propósito das pessoas usarem o Google Plus. Como eu ainda não sei exatamente como vai ser feito, se o áudio vai ficar legal, etc – porque só vai dar pra testar quando a gente realmente estiver lá dentro – eu não posso afirmar com 100% de certeza que a transmissão vai acontecer, mas faremos de tudo pra dar certo. E se tudo correr conforme o planejado, a gente vai usar dois notebooks para transmitir e depois eu vou editar, fazer umas jogadas de câmera bem marotas e publicar tudo lá no site.

Então, encarecidamente, peço para vocês acompanharem o facebook e principalmente o twitter do ComéquePOD porque tudo vai ser informado por lá.

Deixa eu ver se tá faltando falar mais alguma coisa…

Ãhn…

Ah, sim! Resolvi fazer um daily vlog, filmando partes importantes de cada dia durante a semana da Campus (mais numa pegada pessoal do que uma “cobertura de evento”), então fiquem de olho no meu canal do YouTube também.

Nos vemos na Campus Party! Ou no hangout. Ou no mês que vem quando eu publicar outro texto aqui.

 
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